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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Uma história para ouvir e partilhar [Bom Dia]

29.02.16 | Vera Dias Pinheiro
Ser mãe/pai e ser responsável pela educação e por influenciar a forma como os nossos filhos vão encarar o mundo que os rodeia e a forma como farão as suas escolhas, é uma enorme responsabilidade. É uma responsabilidade daquelas capazes de nos fazer tremer de cima a baixo quando pensamos nisso a sério; quando temos que escolher a escola dos nossos filhos; quando somos forçados a fazer escolhas; quando temos que fazer uso da nossa autoridade e impor limites; quando temos que saber quando devemos ceder; ou quando simplesmente, temos os seus olhares inocentes sempre à espera que o seu pai e a sua mãe saibam o que fazer em todos os momentos. 

No entanto, esta não é uma responsabilidade solitária, apenas dos pais, é uma responsabilidade que partilhamos com os educadores, professores, auxiliares, avós... no fundo, é uma responsabilidade partilhada com a sociedade em que nos inserimos e na qual interagimos todos os dias. Mas sobretudo com a escola e com os profissionais que dela fazem parte. É aqui que reside a minha especial preocupação: a de saber que os meus filhos vão receber da escola toda a formação que precisam, contudo, que isso não venha dissociado de valores, de princípios, de esperança e confiança.

E, por tudo isto que aqui desabafo com vocês que queria muito partilhar uma história real, bem real e recente, que ouvi este fim-de-semana. Trata-se da história de um menino italiano, chamado Matteo, aluno da terceira classe de um liceu em Ferrara. A professora, chamada Margherita, deu aos alunos um trabalho cujo tema era adjetivos. Na sua dissertação, o pequeno Matteo escolheu a palavra "petaloso" que, segundo ele, devia ser o adjetivo para qualificar uma flor com muitas pétalas. Na correção, a professora assinalou esta palavra como um erro, por não existir em italiano. Porém, conforme a própria professora disse a um jornal italiano, "Quando corrigi o exame, marquei "petaloso" com um círculo a vermelho, para sinalizar que se tratava de um belo erro". 

A professora gostou tanto do erro que decidiu, em conjunto com o pequeno Matteo, pedir a opinião da Academia italiana para a salvaguarda da língua. Esta Academia, chamada Crusca, escreveu uma carta de resposta a Matteo, dizendo-lhe que a palavra era bem formada e que poderia ser utilizada no italiano, bastando, para isso, que ele conseguisse que o maior número de pessoas passasse a utilizá-la. O sucesso da palavra e da criatividade do pequeno Matteo têm sido tais que já existe um hashtag #petaloso e até o próprio Matteo Renzi, 1.º Ministro italiano, decidiu felicitá-lo (e à Academia) por este belo episódio.

tsf + podcast + Matteo + petaloso + Academia Crusca + novo adjectivo italiano petaloso

No fundo, esta bonita história emocionou-me por mostrar como é possível ouvir as crianças, dar-lhes liberdade de expressão, sem estar constantemente a impor-lhes alguma coisa ou sequer a travar a sua imaginação e criatividade apenas porque não vir escrito em lado algum. O Matteo foi genuíno na sua forma de ver o mundo e na forma como resolveu o exercício dado na aula; a sua professora foi para além dos dogmas; e as pessoas à sua volta reconheceram-lhe mérito e encorajaram-no a não desistir. A história percorreu o país e hoje a palavra "petaloso" já foi reconhecida e existe no dicionário italiano. Afinal, as crianças são ou não são o futuro e a esperança do nosso amanhã?

tsf + podcast + Matteo e a sua professora + petaloso + Academia Crusca + novo adjectivo italiano petaloso
Matteo e a sua professora, Margherita

Eu ouvi esta história, pela primeira vez, num podcast da TSF, do Fernando Alves, que podem ouvir aqui e se gostaram tanto quanto eu, partilhem! Mas partilhem mesmo!


*Todas a imagens foram retiradas do Twitter da Academia Crusca que está repleto de imagens e notícias sobre este assunto. Se tiverem curiosidade, vale a pena dar uma vista de olhos.


Bom Dia!


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