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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Quando o "ser mãe" dá mais trabalho que o nosso trabalho dito "oficial"... Como fazer?

16.05.19 | Vera Dias Pinheiro

Batizado Vicente e Laura (2 de 503).jpg

 

6H50: Eu acordo!

Esforço-me para acordar antes deles – às vezes, são eles que me acordam. Porém, por norma, prefiro arranjar-me, preparar pequenos-almoços e, por normal, acordam quando estou a arrumar a loiça da máquina. Não é o melhor despertador do mundo, contudo evito ter que os acordar eu.

 

8H10: Saímos de casa!

Eles ficam na escola e eu sigo para a minha vida. Numa vida que se desenrola num espaço de tempo muito curto, pois às 16h30 já estou a preparar-me para iniciar a recolha na escola e, a partir daí, entre cuidar deles e as tarefas de casa, já dou por mim a aterrar completamente no sofá inanimada!

 

Contudo, hoje foi daqueles dias em que o meu dia se desenrolou em pequenos intervalos. De manhã, tive a consulta de rotina da Laura, que entre os atrasos e a consulta propriamente dia, consumiram-se praticamente 3 horas.

Deixei a Laura na escola, voltei a casa, tinha uma máquina de roupa para estender, a da loiça para arrumar e, já agora não me esquecer de almoçar e… vejam só, a ousadia, trabalhar um bocado.

 

Às 16 horas já tinha que estar com o professor de Judo do Vicente e, entretanto, já tinha pedido na peixaria ao lado de casa para me separar algumas postas de salmão para irem descongelando até que eu passasse de regresso a casa.

E assim foi, no regresso, fui buscar o peixe e pagar, trouxe para casa, sentei-me mais uns instantes ao computador e às 17 horas já estava a apanhar a Laura e, a seguir, o irmão.

 

A partir daí, vocês sabem tão bem quanto eu como se desenrolam os finais de dia: preparar o jantar, dar banhos, controlar o denómino que habita na cozinha e que se apodera dela ao mínimo descuido da nossa parte, lavar os dentes, brincar um bocadinho e, por fim, ir para a cama.

Notem: Ir para a cama! O que não significa dormirem, sobretudo a Laura que é capaz de desarrumar o quarto inteiro antes de adormecer.

 

E, no meio de tudo isto, embora tenha sido um dia de pouca produtividade, a verdade é que eu não tive que explicar atrasos a nenhum superior, não tive que tirar o dia e vê-lo descontado no ordenado e não tive que pedir justificação para nenhuma falta.   

Ainda assim, a verdade é que para todos os efeitos, eu não fiz nada!  E, por vezes, sermos o patrão de nós próprios vira-se contra nós. Mas isto está totalmente errado! Quem acompanha os filhos, leva as consultas, se inteira das coisas importantes das suas vidas e que precisa estar presente nos vários eventos da escola, não pode estar sujeita a ter uma penalização ao final do mês. Esta tarefa é tão somente a mais importante de todas, trata-se ou não da função essencial dos pais: cuidar da saúde e do bem-estar dos filhos, assim como, educa-los!

Mas tudo isto é completamente deixado para segundo plano, na melhor das hipóteses ou, então, é completamente posto de lado porque não há tempo para tudo e é mais fácil quando se reage simplesmente às urgências.

 

Portanto, este trabalho não remunerado desempenhado diariamente por milhares de mães, 24 horas, não tem qualquer reconhecimento nem significado. O que, de certa forma, faz transparecer alguma culpa por sermos mães e por desempenharmos as nossas obrigações e deveres de mãe.

Todas nós sabemos que não deveria ser assim, mas continuamos sistematicamente a ficar tempo a mais no nosso trabalho “oficial”, a chegar mais cedo sempre que é preciso, a delegar as tarefas dos nossos filhos para terceiros, porque o sistema não está a favor das famílias e muito menos das mulheres!

 

A sociedade está dividida entre as mulheres que trabalham e as mulheres que optam por ficar em casa a acompanhar os filhos. Mas, digam-me, será possível mudar isto? Será possível ter um compromisso que não nos faça sentir que temos que prescindir sempre ou de uma coisa ou da outra?

Vou conhecendo muitas mulheres fantásticas, pelo caminho, com projecto fantásticas de empreendedorismo, fruto precisamente dessa vontade em gerir melhor o seu tempo conciliando ambas as coisas: a maternidade e o trabalho. E isso faz-me acreditar que, aos poucos, vamos abrindo mentalidades para que, se ninguém fizer por nós, nós teremos a coragem, a capacidade de trabalho e a força de vontade para sermos nós próprias a MUDANÇA!

 

Boa noite!

 

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