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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Os sentimentos que (involuntariamente) se plantam em nós!

11.10.19 | Vera Dias Pinheiro

os efeitos das redes sociais

 

 

Há poucas semanas atrás, num grupo de pais, gerou-se o alerta em torno de certos comportamentos (mais agressivos) entre as crianças ou por parte de determinadas crianças. Como consequência, interrogaram-se crianças de seis anos, culparam-se outras, utilizaram-se termos como agressor, vítima e bullying. E, no espaço de poucas horas, faziam-se ameaças, dando margem para a dúvida, o medo, para a inquietação e rapidamente esquecemo-nos do mais importante: as crianças. 

 

E este é apenas (mais um) exemplo da forma como eu sinto que as relações entre as pessoas são geridas hoje em dia, seja com pessoas que conhecemos, sejam com desconhecidos. Usamos a impulsividade ou centramos demasiado as coisas no nosso umbigo ou sentimo-nos do direito de dizer tudo aquilo que devemos e não devemos – podemos pensar muita coisa, mas será que devemos dizer tudo aquilo que nos passa pela cabeça?

 

Talvez se colham os frutos da emergência e da importância que damos às redes socias e do dar voz a todo e qualquer individuo. Talvez se tenha confundido a liberdade de expressão com o falar só por falar, com o opinar superficialmente, com o agredir como arma de mostrar a alguém que não concordamos com determinada coisa. Deparo-me diariamente com agressões verbais, muitas delas bastante graves, nas redes sociais, nos comentários às notícias e aos vídeos.

O que seria do azul, se todos gostássemos do amarelo, não é verdade? Mas daqui a verbalizarmos coisas tão negativas e más em relação a outra pessoa vai uma enorme distância.

 

E, neste rol de reacções e do disque-disse, acabamos todos por ficar confusos e permeáveis a certo de tipo de sentimentos que nós não queremos sentir e que não sentiríamos se não estivemos expostos desta maneira. Sentimo-nos aguçados e ofendidos com demasiada facilidade. Será que se perdeu de vez a capacidade de pensar antes de falar e passamos todos a estar em constante julgamento do outro?

 

Quando é que perdermos a nossa naturalidade? Quando é deixamos ir a nossa inocência para passarmos a estar em constante ataque e à procura de responsáveis às vezes para nada?

 

As redes sociais inundam-se de comentários, do envio de farpas e de críticas e de condenações. Supostamente há sempre alguém que sabe fazer mais e melhor do que o outro, contudo, continuamos a ser um país com uma taxa de abstenção em eleições particamente nos 50%. Não deixa de ser curioso, não acham? Onde é que está o sentido de tudo isto?

 

Afinal, onde andam todas essas pessoas que criticam e apontam o dedo, que se queixam e se lamentam e que até fazem comparações? Onde andam todos no momento em que podem manifestar de forma eficaz as suas opiniões, de exercer o seu direito ao voto e de poder ser um agente de mudança para si e para a sociedade?

 

“Actualmente, as pessoas não votam porque não querem” … ouvia-se na passada noite de domingo na televisão. É assustador! A quem entregamos o nosso futuro se nós não nos importamos com ele? Que tipo de cidadão seremos nós e que direitos podemos nós reivindicar? Que sociedade estamos a deixar para as próximas gerações se esta consciência cívica se perder?

 

Desde que me conheço que sempre acompanhei os meus pais na ida às urnas, presenciava as conversas, ouvia as discussões sobre as previsões e as opiniões, mas tinha havido a intenção! Falavam com conhecimento por serem pessoas interessadas e envolvidas nas decisões que outros tomariam por eles e que teriam impacto directo na vida deles, no trabalho e consequentemente na nossa.

 

Hoje em dia tenho a sensação que banalizamos tudo, incluindo o respeito que temos uns pelos outros. Hoje em dia banalizamos as relações, as pessoas e até a nossa vida. Somos superficiais, mandam-se bitaites, ao mesmo tempo, que se foge à responsabilidade.

 

Sabem? Não me acho nem mais nem melhor do que ninguém, não tenho por hábito envolver-me nas polémicas ou sequer alimentá-las, mas preocupam-me sim o legado que deixo aos meus filhos e aos adultos que serão um dia. E na minha humilde existência, sei que não lhes posso pedir nada se o exemplo que lhes der for o oposto. Entendem?

 

E é isso que me ajuda a ser mais ponderada e a reflectir um pouco mais sobre o impacto e efeito de determinadas atitudes. E desta forma sinto que estou a fazer a minha parte para o futuro que lhes quero dar.  

 

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