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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

Há coisas que só o tempo tem o poder de melhorar ou curar!

Mas quanto tempo o tempo tem?

14.02.20 | Vera Dias Pinheiro

a cura através do tempo

 

Hoje é sexta-feira – para os mais distraídos – e eu fiz-me uma mulher durante estes cinco dias. Limpei as lágrimas, respirei fundo e ergui a cabeça. Não há tempo para parar o tempo, infelizmente. Não há tempo para fingir que a vida não é carregada de obrigações e de responsabilidade e não há tempo sequer para tirar umas férias sozinha numa ilha deserta – que é basicamente a minha vontade. Tenho dois filhos que precisam de mim e sobre quem não posso libertar tudo isto que me pesa no peito, tenho um marido que viaja e trabalha bastante e a quem não posso pedir que tire uma licença para eu poder fazer o meu luto em paz. Tenho a casa, não me livro das tarefas domésticas nem por nada, e tenho o meu trabalho, cujo retorno resulta 98% do tempo da energia com me entrego e faço as coisas.  

 

Rapidamente é fácil perceber para que lado a balança vai neste tipo de situações, certo? Sei – porque vocês partilham comigo – que muitas, muitas, de vocês já estiveram ou estão em situações iguais ou semelhantes à minha. Portanto, o “aperto” da vida adulta é real (e geral).

 

Mas eu, e vocês, aguento-me! E nesta semana sem o pai, eu portei-me como gente crescida e fui exemplar. Fui ao ginásio quatro vezes, tomei o meu banho, arranjei-me, cuidei dos miúdos, não encomendei Uber Eats uma única vez, não desmarquei a consulta do Vicente – o que me obrigou ao exercício de falar sobre dentes e aparelhos ortodônticos em francês, sempre com o olhar do Vicente em cima de mim para ver se me apanhava em falso – fui ao supermercado, estivemos no mercado da quarta-feira, também não deixei a louça acumular na cozinha e, todas as manhãs, saímos de casa sem atrasos. E, por fim, não menos importante, até que me senti pro-activa no meu trabalho.

Ufa!

 

No fundo, ocupei a cabeça, cuidei de mim, venci o lado “negro” que, nestes momentos da vida, nos puxa para baixo e acabamos até por descuidar um pouco da nossa imagem. Mas neste aspecto, aprendi que devemos sair de casa sempre com a nossa melhor cara, mesmo que por dentro estejamos completamente na m**** - desculpem o palavrão. E, por isso, é normal que 95% das vezes as pessoas me encontrem com boa cara e com aspecto cuidado. Talvez, este seja mesmo um lema de vida que eu tenho.

 

Mas, depois, chego ao fim desta semana e olho para dentro e percebo que nada disto contribuiu para que eu realmente me sinta melhor. E porquê?

“Então, porque é que não está a resultar? Porque é que eu não me sinto melhor?”, desabafava eu com uma amiga.

 

"… porque é tudo uma questão de tempo!", respondeu ela e acrescentou:

 

“O tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem!
o tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.”

 

{Um pequeno a parte}

Lembro-me de ser criança e ouvir na rádio esta lengalenga, talvez na rádio Renascença, pois era a que os meus mais ouviam na época, e perguntar o que é que significava esta coisa do tempo.

 

Porém, esta percepção da “cura” pelo tempo é algo que só aprendemos por nós próprios e em todas as quedas e percalços que vamos tendo ao longo da vida, os dissabores e os desgostos.  

E na vida é mesmo tudo uma questão de tempo, só ele tem o poder de ajudar ou melhorar tudo.   

 

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