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Em Pré Desconfinamento, Um Balanço Desta Quarentena.

Quarentena: O Que Fiz (E O Que Não Fiz) E O Que Aprendi

27.04.20 | Vera Dias Pinheiro

o que aprendi durante a quarentena

 

 

No cenário ideal e em que tudo correrá como previsto, esta é a última semana de quarentena - ou confinamento, como lhe queiram chamar. A partir da próxima segunda-feira e, de forma progressiva, a vidas de todos nós retomará a tão desejada “normalidade”.

 

Contudo, para nós o impacto desse desconfinamento será um pouco relativo, pois a nossa rotina pouco ou nada se alterará. O meu marido vai permanecer em teletrabalho, a escola da Laura não abrirá, a do Vicente muito provavelmente também não e eu continuarei a tentar encaixar a minha vida nisto tudo.

 

E, se por um lado, não pretendo, por exemplo, regressar ao ginásio quando abrirem, bater perna pelas lojas quando estas abrirem ou ir a um restaurante. Por outro, alivia-me saber que a nossa vida não se resume apenas ao supermercado e farmácias e que deixamos de estar dependentes do online para comprar outros bens essências. Agrada-me saber que podemos ir até a um jardim forma do nosso bairro e que o Vicente poderá voltar a cortar o cabelo por alguém mais competente do que a mãe. Entretanto, hoje até nos ligaram do dentista para retomar as consultas que tinham sido desmarcadas por conta da covid-19 e da quarentena. E eu posso eventualmente remarcar a minha consulta para perceber de uma vez o que se passa com as minhas costas. Se vocês soubessem as dores com que tenho passado esta quarentena.  E preciso em algum momento de ir a Lisboa para terminar o meu tratamento de Invisalign.

 

No fundo, o regresso à normalidade é isso. Saber que deixamos de estar confinados, ainda que seja imperativo continuarmos a ser cautelosos. No fundo, este desconfinamento é como receber um bombom amargo. Percebem?

 

Porém, é verdade que a partir de dia 4 há uma fase que termina – a quarentena – e outra que se inicia. E sempre que assim é, podemos e devemos fazer um balanço do período que passou. E foi isso que eu fiz e eis algumas das conclusões a que cheguei:

 

O tal tempo de aborrecimento que leva à criatividade não abundou por aqui. Para já, não houve tempo para haver monotonia sequer e entre todas as cedências e adaptações que tive que fazer, houve algo de que não abdiquei: de ter o meu momento para parar. Andei muito cansada, todavia nunca sacrifiquei o meu tempo. Aprendi uma grande lição com a privação do sono durante o pós-parto da Laura e que durou cerca de um ano.

Posto isto, posso não ter-me reinventado, posso não ter criado nada de espectacular, mas esta quarentena trouxe coisas muito boas, daqueles que vão ao profundo de nós e que só vão aparecendo mais tarde, ao seu ritmo.

 

O meu balanço positivo recai, por exemplo, em tudo o que aprendemos nesta convivência intensiva a quatro. Embora estejamos habituados a estar longe da família e dos amigos e a viver muito a quatro, nunca tínhamos estado tanto tempo a viver 24h sob 24h juntos. E se no início começamos a quarentena com muitas discuções e com cada um a puxar para seu lado e a tentar que o seu prevalecesse, com o passar dos dias fomos aprendendo a moldar-nos, a aceitar e a respeitar mais o outro. Também conversamos mais e partilhamos muito as tarefas de casa. E, acima de tudo, assumimos um grande compromisso com a educação do Vicente e isso deixa-me bastante orgulhosa. Aprendemos muito como pais e assumimos as prioridades certas.

 

O balanço positivo está também na maior capacidade de falar com os meus filhos em vez de gritar; em como aprendi a sentar-me com eles e a ouvi-los. Mas desenganem-se se acham que sou o exemplo da parentalidade positiva. Sou uma mãe como todas as outras e sou humana. Gritei, berrei, passei-me, fiz ameaças, separei brigas, ouvi os insultos dos nossos filhos, mas o que mudou foi a forma como aprendi a chamá-lo para até mim, a conversar e mostrar pontos de vista. Em como lhes dei ouvidos e passei a estar mais atenta aos seus sentimentos.

 

O balanço positivo está ainda na nossa casa que tem espaço para todos. A quarentena foi o pretexto ideal para percebemos o que faltava para completar o nosso conforto, investimos e isso contribui de igual forma para que todos se sentissem melhor. O meu marido passou a trabalhar numa secretária, em vez da mesa de refeições, o que melhorou o seu humor, e adaptamos a nossa varanda para que nos permitisse ter acesso ao ar livre de que estávamos privados. Afinal, é em nossa casa que vamos continuar a passar a maior parte do nosso tempo mesmo após o fim da quarentena.

 

O balanço positivo está em como o Vicente e a Laura se adaptaram e aprenderam a brincar com os primos através de um iPad. Com 4 e 7 anos, as crianças não ligam propriamente para conversar. Com esta idade eles querem brincam e é bonito ver a forma como brincam aos legos, às construções, o que seja com aquela janela, que o iPad.

 

E não menos importante, o balanço positivo em como consegui não me comparar com ninguém durante esta quarentena. Pois, perante a mesma situação cada pessoa reage à sua maneira. Mas o que importa lembrar é que cada um tem o seu próprio contexto, os seus problemas e a sua realidade. Nem todos temos que fazer pão; nem todos temos que ser criativos e inovadores; nem todos temos que treinar todos os dias desta quarentena ou sequer andar vestidos em casa como se fossemos sair apenas para não parecer mal.

 

Se esta quarentena serviu para alguma coisa - para além de tudo o que referi – que tenha servido de igual forma para reforçar que nem todos temos o mesmo tempo e nem todos brilhamos na mesma altura. E está tudo certo, pois, acima de tudo, é à nossa essência e quem somos que devemos respeitar e prestar contas e não aos outros.

 

Cuidem-se muito bem nesta pós-quarentena.

 

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