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As viagens dos Vs

Mulheres nutridas, famílias felizes

As viagens dos Vs

É um engano! A maternidade é muito mais do que "apenas" os filhos!

04.04.19 | Vera Dias Pinheiro

mãe a tempo inteiro

 

Claro que se me dessem a escolher, eu preferia mil vezes ter que lidar apenas e só com a maternidade. Com a parte mais leve, feliz, descontraída e suave. Claro que, antes de tudo isto, do ser mãe, eu pensava que ter filhos era apenas esse lado e que eu – ingenuamente – daria conta do recado porque, à minha maneira, teria tudo sob controlo.

 

Porém, atrevo-me a dizer que o nosso controlo se estende basicamente a tudo aquilo que são os cuidados básicos e essenciais do bebé/criança. Para além de tudo isso, a grande parte, tem a ver com um misto de tantas coisas e com um depender de tantas conjunturas e estados de espírito, que torna isto, de ser mãe, uma caminhada tudo menos suave e tranquila.

E como se tudo isso não fosse, por si só, suficiente, há ainda toda a nossa vida e responsabilidades de pessoa adulta que somos. Essa outra vida tão importante e essencial ao funcionamento do todo, que temos que conjugar e, assim, passamos a viver na luta constante por um equilíbrio entre os vários papéis que desempenhamos.

 

Calhou-me a mim que, quando a aventura da primeira gravidez, a vida me levasse a enveredar pelo que se classifica como a “mãe a tempo inteiro”. Eu fui aquela mulher-mãe que colocou uma licença sem vencimento na sua vida toda para se dedicar tão somente ao seu filho. Parece um sonho, não é? E foi, sou grata demais pelo tempo “extra” que passo com os meus filhos desde que eles nasceram.

Contudo, ninguém me avisou tudo o resto que vinha agregado à maravilha de ser mãe. Ninguém me avisou de outras responsabilidades e tarefas (sim, tarefas) que tornavam esgotantes os meus dias, todos os dias. Porque antes, eu saia do meu trabalho e, a mal ou bem, fechava-se uma porta, o dia tinha ficado feito e as tarefas concluídas.

 

Na minha casa, e durante o meu dia, o caos era constante assim como a minha luta e trabalho – porque é disso que se trata, trabalho e muito de físico. Quanto mais fazia, mais havia para fazer, algo que se era recuperado ou posto em dia quando as noites se prologavam ou os momentos de descanso do bebé, eram aproveitados para tudo menos para descansar.

E hoje em dia, que enveredei por uma carreira em regime de freelancer, em que trabalho a partir de casa e em liberdade de horário, sinto que, durante as minhas 24h, esse oásis para um trabalhador, acaba por ter um lado muito negro. E disso também ninguém nos avisa e quando nos apercebemos, levamos tempo até acertar o passo, até alcançarmos o ritmo de antes. Mas depois o que se sucede:

... a falta de tempo para certas coisas e com isso, uma ligeira incompreensão, porque afinal, eu estive sempre lá, em disponibilidade total. As responsabilidades eram tomadas sempre com a prioridade neles. E é estranho quando, nas primeiras vezes, não temos realmente tempo, quando chegamos a primeira vez mais tarde à escola, quando não terminamos um trabalho a tempo para a escola, quando nos baralhamos nos dias das actividades. Ficam surpresos - até eu não estou habituada.

 

Mas o resumo dos meus e dos nossos dias, independentemente da vida e carreira que tenhamos, é que, no final do dia, estamos na luta connosco própria para ter mais paciência, para controlar as situações de conflito, para não levantar a voz, para nos controlarmos e não virar costas. E, comigo, são as coisas básicas que eles sabem que têm que fazer e que se recusam que me deixa doida: lavar os dentes, tomar banho, comer.

Se perguntarmos quantas de nós consegue manter o sangue frio ao final do dia, acho é consensual que a maioria responde que não. E é legitimo sentir isso, é legitimo falhar, mesmo quando não queremos e sabemos que até poderíamos ter evitado. É legitimo, porque infelizmente a maternidade não é apenas ser mãe, maternidade tem responsabilidade e nós somos formatados para ter responsabilidade e ter sempre coisas chatas para resolver no dia a dia.

 

Mas, de uma forma ou de outra, saber pedir desculpa, quando sabemos que pisamos a linha, explicar-lhes que ser crescido implica muitas tarefas, as deles e as nossas, mas que o importante é que eles são sempre a prioridade da nossa vida e que os amamos sempre, mesmo quando a voz se altera e sobe de tom… porque é legítimo!

São dois filhos, mas podia ser apenas um ou podiam ser três ou quatro, acho que o sentimento está presente em todas nós de igual forma.

 

Boa noite.

 

 

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