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E Por Falar Em Gestão De Tempo E Organização Das Tarefas…

Os Desafios De Trabalhar A Partir De Casa

16.01.20 | Vera Dias Pinheiro

gestão de tempo e organização de tarefas pessoais e familiares

 

Falar em gestão de tempo e organização, por vezes, é apenas um grande flop. Ontem à noite, contrariando a tendência de deixar tudo para fazer no próprio dia de manhã – porque eu acho que, todos os dias, estou com a mesma energia para acordar as 6 horas, ajudava deitar-me mais cedo, é verdade! – ontem deixei tudo pré-preparado para o dia seguinte: os lanches e o almoço da Laura; a cozinha arrumada, a máquina da loiça a lavar, tudo varrido e pronto para que, no dia seguinte, apenas tivesse que fechar lancheiras e despachá-los – quando estou sozinha com eles ajuda ter esta organização para evitar ter que os acordar mais cedo e evitar sairmos atrasados.

 

Pois que tudo até correu relativamente bem, acordei mais cedo que eles, despachei-me, vestiram-se e descemos para o pequeno-almoço. Mas depois, sem saber nem como nem porquê, já tinha o chão completamente cheio de arroz e de carne, como resultado de ter entornado a marmita da Laura quando me preparava para aquecer o seu almoço. O arroz que é só a coisa mais enervante de limpar. Posto isto, entre refazer tudo, varrer e lavar o chão, já não houve tempo para seguir o tal plano organizado. Saí de casa com a cozinha desarrumada, fiquei até de mau humor e o dia, tal como se seguiu, já não foi da maneira que queria.

 

Contudo, eu também que o que aconteceu comigo hoje deve-se, em parte, ao facto de haver dias em que eu simplesmente “estou cheia” desta vida mais doméstica e em que sinto muito a falta de tempo para ser mais a outra parte de mim. Talvez sinta a falta de ajuda, como tinha aí da minha mãe, que era o meu braço direito e o esquerdo, que adiantava o jantar quando era preciso, que ia buscar os miúdos à escola quando eu estava atrasada com o meu trabalho, que os entretinha quando eu precisa ter momentos extra para ser proactiva, que segurava as pontas e me incentiva a não recusar certos convites para eventos ao final do dia.

 

Tinha mais liberdade de tempo e de responsabilidade até. Agora escrevo com o relógio à minha frente para que não passe a hora de sair de casa para os ir buscar. Hoje em dia, a minha “to do list” de um dia é coisa para levar dois ou três, depende se depois há uma consulta, algo que falte do supermercado ou algum recado para fazer.

 

Entretanto, eu sempre soube – e por isso, sempre dei tanto valor a essa ajuda – que esse período intermédio entre dois períodos distintos em que vivi/vivo em Bruxelas, era como uma espécie de férias, de pausa, de oxigénio para eu não perder a minha vida própria e acrescentar/evoluir sempre mais um pouco nesse campo. Da primeira vez aqui, tinha um bebé que chegou com três meses e, portanto, fizesse o que fizesse, tinha sempre um bebé literalmente agarrado a mim. Tudo o que fizesse por minha conta era antes dele acordar e do meu marido ir trabalhar – todo o meu exercício físico era feito entre as 7 e as 8 horas da manhã ou, então, ao finalzinho da tarde, quando o meu marido estava e eram dois dias por semana que tinha “livres” para o curso de francês e era algo que me fazia tanta falta na altura, ter momentos para estar só com adultos.

 

Hoje em dia, tenho mais um filho e ambos mais crescidos e não são dependentes de mim para os cuidados básicos, mas são dependentes para praticamente tudo na vida deles. O tempo que tenho - nem gosto de pensar nisso - resume-se as poucas horas por dia. Vivo com a sensação de não me conseguir entregar a 100% a nada, pois quando estou a chegar aí… o despertador toca e lembra-me que é hora de mudar o chip para outra tarefa.

 

Talvez por esse motivo, tenha vindo a crescer a vontade de trabalhar fora de casa, digo, de ter um emprego com horário fixo, pois exigiria uma outra organização da vida de todos, em que todos cediam mais um pouco para eu ter um pouco mais tempo. É como se assim fosse “legítimo”, entendem?  O que não faz qualquer sentido, mas, na prática e para efeitos de dia-a-dia, quem tem “tempo” livre sou eu. Entendem?

 

É certo que não consigo avaliar a correria de uma mulher que vive com o struggle de ter que gerir a vida pessoal com a profissional num emprego normal. Haverão sempre vantagens e desvantagens, isso é certo. Mas também sei que, por defeito humano, tendemos a achar que o outro tem sempre a vida mais facilitada que nós. E há uma coisa importante a reter: naquele momento em que estão no vosso trabalho, o tempo é vosso, é certo e é seguro – salvo as chamadas imprevistas da escola ou as doenças repentinas das nossas crianças. Deste lado, há uma luta constante para marcar território, um território que, muitas vezes, parece que só eu é que o vejo.

 

Entretanto, fui estudando mais sobre o mindfullness, porque sentia-me perdia e com muita dificuldade em me encontrar nesta fase, e foi assim abandonei o multitasking – aquela bandeira de comportamento que queremos tanto erguer - para me concentrar em menos tarefas no dia-a-dia. Assim, fui progressivamente conquistando de novo a sensação de satisfação por conseguir concluir uma tarefa, um propósito, um objectivo. Por vezes é algo tão simples como acabar uma apresentação, outras vezes, responder aos e-mails atrasados, fosse o que fosse, estava a conseguir ter a atenção e o tempo necessários para começar e acabar algo.  E assim, progressivamente fui encontrando alguma tranquilidade nesta correria, porque eu sentia-me mais completa e suficiente, para mim e para os outros.

 

Como consequência, umas das medidas que tive que tomar foi reduzir o número de posts no blog, passando de diários para 3 vezes por semana. E mesmo assim, há semanas em que não consigo cumprir seja o número ou os dias nos quais me propus escrever – segundas; quartas e sextas-feiras - como é o caso de hoje, uma quinta-feira e, afinal, estão a ler o post de quarta-feira 😉

 

Os obstáculos pessoais (de todos nós) são reais e não uma mera fantasia da nossa parte. E é preciso ter consciência disso e agir, porque a mudança, esssa, está apenas nas nossas mãos!  

 

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