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As viagens dos Vs

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As birras: A fase dos terríveis 2 anos que, afinal, acontece aos 3!

21.03.19 | Vera Dias Pinheiro

os terríveis dois anos, as birras dos dois anos

 

Disclaimer para os novos pais:

A parte boa – desta fase – é que nos vamos esquecendo rapidamente do qual difícil ela é. E a parte menos boa é, quando nos deparamos novamente com ela, ser tudo novamente novidade, é exactamente como se estivéssemos a lidar com tudo aquilo pela primeira vez.

 

A única coisa que eu já sabia – por experiência própria – é que a “crise dos dois anos” acontece verdadeiramente lá para os três anos. Fora isso, é como se fosse a primeira vez. É sempre muito difícil lidar com as crianças desta idade e tentar dar a volta à situação de conflito. A facilidade com que as birras surgem – por tudo e por nada – e a velocidade a que escalam na intensidade, testam todas as nossas capacidades de resistência e paciência.

Como é difícil gerir isto! Como são pesados os finais de dia, os passeios, as saídas, as refeições… E sempre tudo imprevisível, como vivemos sempre com uma tensão, porque estes momentos são também provas de fogo para o casal, porque nem sempre temos a mesma opinião e, por vezes, tendemos a achar que a nossa maneira de resolver os conflitos seria mais eficiente do que a do outro.

Ainda assim, devo dizer que a idade me trouxe mais paciência e, acima de tudo, uma capacidade de mais facilmente escolher o silêncio como a melhor resposta. Porque não vale a pena discutir por tudo, porque ao discutir acabamos por elevar o tom de voz e, no final, fica sempre um sentimento de frustração por termos deixado que as coisas chegassem tão longe ou por não termos conseguido contornar o conflito, a birra, o mau-humor.

Desta vez, tenho que aprender a gerir uma outra fonte de tensão: os irmãos. Uma relação nem sempre pacifica e, ultimamente, com cada vez mais episódios de brigas entre os dois. Esta é das partes mais difíceis, fazer entender o mais velho das limitações” do mais novo e fazer com que o mais novo não se encoste no mais velho. Repartir as responsabilidades entre ambos e na medida da idade de cada um não é tarefa fácil.

Por vezes, quando acho que estou a fazer o certo e a explicar as coisas de forma a que cada um entenda e, de repente, olho para o lado, e está um a chorar e o outro a refilar… há momentos em que a nossa casa parece uma casa de doidos e eu… aprendi a calar-me e a esperar pela melhor altura para falar ou, pelo menos, tentar.

 

Os dois, três, quatro anos… são a fase em que sinto como se estivesse a falar para um boneco, porque a informação claramente ainda não é interpretada da melhor forma, a maturidade está em crescimento e a capacidade de se expressar basicamente resume-se ao choro, gritos e todas as outras formas similares.

Mas é notável a forma como os nossos ouvidos se moldam ao ruído do choro, aos gritos e o nosso corpo assume uma certa dormência por saber que não pode reagir como se de um adulto se tratasse. Às vezes, quando a situação é critica imagino-me a colocar uma em cada divisão e eu próprio procura um canto da casa a sós para respirar fundo e não ceder ao berro. Se consigo sempre?! Não! Às vezes, o berro sai, é fácil, é a solução do momento e que, às vezes, resulta mesmo no momento. Nem que seja pelo desespero que vêm nos meus olhos, por sentirem que passaram realmente os limites e porque o Vicente tem um respeito e sabe quando pisa o risco e, por consequência, tenta fazer com que a irmã o perceba também.

 

Com a Laura e, não sei se é por ser miúda, se pelo signo ou pelo dia em que nasceu, a argumentação básica não é suficiente para resolver a situação. Ela responde e questiona, não cede nem à primeira, nem à segunda e, raramente, à terceira. E eu, admito, que tenho algum receito do confronto mulher-mulher, porque sei perfeitamente a forma dela pensar, sei o porque de certos comportamentos e isso assusta-me. Tento não transparecer e tento ouvir mais do que falar, tento dialogar, pois aquela conversa do “tens que fazer porque sim” ou “fazes porque senão…” com ela não resulta.

 

São diferentes, o Vicente a Laura são completamente diferentes e, penso que a grande lição a tirar de tudo isto é que o fundamental é lidar com cada um em função da pessoa que são e da personalidade que têm. Não adianta vir com grandes teorias ou colocar os dois num mesmo “saco”. Não resulta, mas não é só isso, acrescenta tensão e agrava o stress e o sistema nervoso. É como se perdesse o controlo da situação, porque eles próprias se descontrolam.

 

Posto isto, penso ter respondido à vossa pergunta a respeito de “os teus filhos não fazem birras e não brigam um com um outro”, correcto?

Diria que, neste momento, vivemos na era da negociação 24 horas por dia.

 

Boa noite!

 

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