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A sorte destes dois por se terem um ao outro | Feliz Dia dos Irmãos

31.05.19 | Vera Dias Pinheiro

dia dos irmãos

 

Passou me completamente ao lado que hoje se assinala o Dia dos Irmãos. Isto de ter esgotado o plafond de dados de Internet no telemóvel é uma maravilha, porque até os dias se tornam maiores e conseguimos distrair a atenção do próprio objecto.

 

Hoje é Dia dos Irmãos e eu nunca me imaginaria mãe de apenas um filho. Talvez por ter uma irmã e crescer rodeada de irmãos. Contudo, nunca tinha observado (do lado de fora) como se desenvolver e se constrói essa relação. E é aquilo que tenho vindo a observar, na maioria das vezes sem sequer me manifestar, é como se eu não estive ali! E, talvez, o momento mais enternecedor dos últimos tempos, tenha sido quando a Laura pediu para chamar o Vicente para a cama porque não conseguia adormecer sem ele.

 

Ou, então, pelo facto de estarmos prestes a mudar de casa e eu perguntar ao Vicente se gostaria de ter um quarto só para ele e a resposta ter sido um não sem margem para dúvidas! Pediu, contudo, que tivessem verdadeiramente uma cama separada para cada um. E eu percebo, pois, a solução de emergência para conseguirmos adormecer os dois no mesmo quarto já não faz qualquer sentido.

 

É verdade que se chateiam e brigam muitas vezes, mas são muitas mais a vezes em que chamam um pelo outro, em que conversam e vê-se que têm a tal cumplicidade de irmãos.

Protegem-se um ao outro perante os pais ou alguém, atacam-se quando estão sozinhos, e, no final, os dois tem um coração mole e esquecem rapidamente os aborrecimentos. Portanto, como se pode ver, tudo normal. Não é verdade?

 

Quando as crises se instalam e a casa parece vir a baixo, eu opto por manter-me no meu canto. Apenas intervenho quando acho que, um ou outro, passa os limites, seja no que dizem - são crianças, mas com muita coisa a dizer - ou se batem – felizmente é coisa para ocorrer muito, mas muito esporadicamente.

 

Hoje em dia, embora desejasse ter uma diferente entre eles menor, os três anos representam aquela margem segura. Por um lado, o Vicente já tem maturidade suficiente e não era propriamente um bebé quando a irmã nasceu e, por outro, mantêm uma proximidade de idades que permite que se entendem com as mesmas brincadeiras e com os mesmos programas. É uma espécie de equilibro perfeito.

 

Sempre dei liberdade a ambos para criarem o seu espaço e para construírem a relação a dois. O desafio é que nenhum se sinta melindrado ou fragilizado na hora de ceder ou de pedir desculpa. O Vicente tende a achar que a culpa é sempre to-da dele e a Laura, com a sua esperteza de segunda filha, aproveita-se disso.

 

Todavia, no meio de todo o caos que é a maternidade, os desafios que o segundo filho traz, a desarrumação a que nos habituamos, o trabalho que não é simplesmente a dobrar, porque os dois parecem mil filhos juntos, quando eu olho para eles, sinto-me completa e feliz. Nesta fase em que sinto que abandonei os bebés, em que temos mais liberdade e eles mais capacidade de nos acompanhar, o meu deleite é observá-los e desejar do fundo do meu coração que saibam que têm a maior sorte do mundo logo ali ao seu lado.

 

Entre eles, espero que tenha a capacidade de zelar muito bem por este presente que lhes demos, um irmão, um amigo de todas as horas, que amamos e também odiamos muitas vezes, que diz as verdades, mas que tem a capacidade de esquecer tudo para dar a mão, ajudar, estar lá em todos os momentos.

Facilita-me o facto de ter uma irmã, penso eu, porque não me fazem confusão as várias implicâncias entre eles, entendo, reconheço-as e, como disse, escolho a via do dar espaço e tempo para resolvam as coisas entre eles.

 

Um fim do dia a ouvi-los a conversar, a observar a preocupação do irmão mais velho e os conselhos que dá quando a irmã se queixa que alguém lhe bateu na escola, ou mesmo quando eu me chateio com ela por ter feito alguma asneira e ele está lá para “colocar água na fervura”. As manhãs, em que os dois se enfiam na minha cama e me dão o mundo, os beijinhos que dão um ao outro, os abraços e logo de imediato, os empurrões, as queixinhas e o fim de um cenário matinal perfeito.

Que sorte que (estes dois) têm, que a saibam preservar pela vida fora!

 

Feliz Dia dos Irmãos.

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