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A minha família imperfeita | Dia da Família

Como É Que A Quarentena Influenciou A Nossa Dinâmica Em Família?

15.05.20 | Vera Dias Pinheiro

dia da família

 

Queria falar desta semana que passou, pois não foi apenas mais uma semana deste desconfinamento ainda meio confinado. E calhou que hoje é igualmente o Dia da Família. Sei que ficaria bem dizer que tenho a família perfeita, mas de perfeito temos apenas a nossa intenção genuína de que o nosso projecto família resulte.

 

A verdade é que, se já sabíamos que eramos diferentes, a quarentena veio acentuar ainda mais todas essas diferenças e evidenciar as particularidades da personalidade de cada um. Como tal, temos tido os nossos altos e baixos, ainda assim é preciso reconhecer a evolução positiva que temos vindo a fazer.

 

Sou inclusivamente capaz de afirmar que a quarentena começou muito mal para os nossos lados. Com muitas divergências e vontades “individuais” a “gritar” no seio uma família que precisava de todos para sobrevivermos.  

 

Foram duas ou três semanas de adaptação e foram dias em que dei por mim a pensar: “e se…” porque, de repente, estava tudo mal. E os dias seguintes eram todos iguais e nós continuávamos ali todos juntos. Mas superamos! Houve cedências, aprendizagens, há mais partilha, mais autonomia (em relação a mim), mais iniciativa e, para além de tudo isto, há um poder de encache maior face às diferenças de cada um – “não gosto, mas tudo bem! Não é grave e não vem com maldade”. Relevar as coisas que sabemos a priori que vão ser motivo para discussão tem sido decisivo. Deixar cair as implicações, resistir a não responder a tudo ou verbalizar tudo aquilo que não gostamos.

 

No fundo, é basicamente conseguir ter dois ou três segundos em que olhamos para a pessoa que está a nossa frente e pensar: aquela pessoa está a dar o seu melhor. Aquela pessoa tal como eu, também está a tentar adaptar-se a tudo isto que estamos a viver.

Ainda assim, acho importante dizer que eu – tal como muita de vós que, de certa forma somos o pilar da casa, a pessoa que faz e acontece com os filhos e a casa - tive que mudar. Porque a realidade mudou também. Face à conjuntura que vivemos, era impossível manter o mesmo registo sob o risco de eu afundar-me no meio de tarefas e obrigações em prol dos outros.

 

E, se por hábito, uma pessoa simplesmente “aponta” o dedo e isso gera invariavelmente discussão, decidi mudar a táctica. Comecei a estabelecer para cada dia prioridades e, entre elas, está muito claro o EU. Ou seja, eu não podia simplesmente atropelar-me para chegar a todo o lado e, ao final do dia, estar a acumular frustração dentro de mim.

 

Cá em casa digo, muitas vezes, agora não. Travo, muitas vezes, as sucessivas tentativas de me interromperam quando digo explicitamente que vou fazer algo e preciso estar sozinha. Deixo por fazer o que for preciso se o meu corpo (ou mente) precisar descansar. Treinei-me para não correr atrás de uma casa sempre arrumada, ao mesmo tempo que, passei a ser mais chata com a desarrumação de cada um. E sim, deixei de fazer aquilo que eu acho que é responsabilidade de cada um.

 

Há tarefas que estão delegadas entre os quatro, miúdos incluídos, porque é preciso ajudar e contribuir para que, por exemplo, a refeição, que eles tanto querem, chegue à mesa ou para que haja sempre roupa interior lavada nas gavetas. São dois pequenos exemplos que podem alargar-se a outros campos da vida em comum.

 

Ou seja, não me bastava querer – porque as coisas não acontecem por magia. Foi preciso haver uma intenção da minha parte e verbalizar com os outros. E tem sido libertador, sabem? Esta acumulação de tarefas e, consequentemente pressão, que recaí sobre as mulheres é algo no qual insisto muito. E, seja por que motivo for, existe de facto e não é de todo justo.

 

E, mesmo que na nossa dinâmica de família seja necessário haver um dos dois com mais disponibilidade para a família e que serve quase de bombeiro de família. Porém, é preciso conhecer o limite e partilhar esse limite com a outra parte. Só assim funciona… a longo prazo.

 

Diria que uma família, mais do que o amor e os sentimentos – afinal, há casais que se separaram e dizem não ter sido por falta de amo – precisa de algo mais, não é? Então, onde está o “segredo” para que este projecto família resulte?

 

Será no conhecimento do nosso papel dentro da família? Será do conhecimento de nós mesmos e do outro e desta clarificação de papéis? E, talvez, a partir daqui ser instintivo que funcionem em equipa?

 

Aquilo que eu sei é que apenas o amor não é suficiente e que este grandioso projecto família não se alimenta apenas das borboletas na barriga. Mas… se pode sobreviver sem amor? Isso eu também não sei.

 

Feliz Dia da Família! Cuidem da vossa.

 

 

 

 

 

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